Corpo de Dom Pedro Casaldáliga é enterrado em cemitério indígena em MT

O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, que morreu no sábado (8) aos 92 anos, em Batatais (SP), foi sepultado nesta quarta-feira (12), em São Félix do Araguaia (MT), após o terceiro velório. Casaldáliga pediu para ser enterrado no cemitério Karajá, à beira do Rio Araguaia, em Mato Grosso

 

Primeiro, foi velado em Batatais e, depois, em Ribeirão Cascalheira.

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Uma missa foi celebrada antes do sepultamento e foi transmitida em redes sociais. O corpo dele foi sepultado no cemitério dos peões e índios. Amigos, a comunidade católica e grupos indígenas acompanharam os rituais.

O local foi criado onde capangas jogavam os corpos de peões e índios que resistiam à grilagem das terras, em São Félix do Araguaia. O fato foi denunciado por Dom Pedro.

Casaldáliga pediu para ser enterrado no cemitério Karajá, como é chamada na região da área onde eram sepultados indígenas e trabalhadores sem terra que foram explorados.

Internação

Com problemas respiratórios agravados pelo Mal de Parkinson, Casaldáliga foi levado de Mato Grosso para o interior de São Paulo na noite de terça-feira (4), em uma UTI aérea.

Um terceiro exame – complementar a outros dois realizados em Mato Grosso – descartou que o paciente tenha contraído Covid-19.

Na tarde de sexta-feira (7), segundo o último boletim médico divulgado, o paciente estava com infecção no pulmão, em um quadro clínico grave e ele respirava com ajuda de aparelhos.

História

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Nascido em 16 de fevereiro de 1928 em Balsareny, na província de Barcelona, mudou-se da Espanha para o Brasil aos 40 anos. Veio como missionário, para trabalhar em São Félix do Araguaia.

Bispo emérito de São Félix do Araguaia (MT), Dom Pedro Casaldáliga, de 92 anos, ficou conhecido por suas posições políticas e pelo trabalho pastoral ligado a causas como a defesa de direitos dos povos indígenas e o combate à violência dos conflitos agrários — Foto: Arquivo pessoal

Pertencente à congregação dos missionários claretianos, foi o primeiro bispo da Prelazia do município – a nomeação, em 1971, partiu do Papal Paulo VI. Dom Pedro Casaldáliga ocupou o ofício até 2005, quando renunciou.

Já nos primeiros anos no Brasil, Casaldáliga envolveu-se, ao lado de outros padres espanhóis, na defesa de povos indígenas, ameaçados pela violência dos conflitos agrários e pela expansão dos latifúndios na região.

Casaldáliga foi um dos responsáveis pela fundação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ainda na década de 1970. Em 2000, o bispo foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Seu trabalho junto aos índios xavantes, após anos de embate judicial contra latifundiários e produtores rurais, fez com que recebesse ameaças de morte em 2012.

Além da atuação pastoral, Casaldáliga ficou conhecido pela produção literária, tanto de poesias quanto de manifestos, artigos, cartas circulares e obras com cunho político ou de temas ligados a espiritualidade, publicadas no Brasil e no exterior.

Em 2013, recusou-se a dar seu nome a um prêmio de jornalismo por se opor à nomeação da então secretária estadual de Cultura, Janete Riva.

Em 2014, o bispo foi tema do filme biográfico “Descalço sobre a Terra Vermelha”, feito por duas produtoras espanholas em parceria com a TV Brasil.

Fonte: G1 MT/ Foto: Divulgação Arquivo pessoal

 

 

 

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